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A beleza dos Presépios de papel

Desde as primeiras representações artísticas , muitos artistas e artesãos ao longo da história representaram das mais diversas formas os fatos celebrados no Natal, usando todas as artes, desde o teatro, passando pela música, pelas artes plásticas, pela literatura e pelo cinema. A montagem de presépios poderia ser hoje identificada como a forma de arte que chamamos de “instalação”. Curiosamente, a mais antiga representação da Natividade se encontra num sarcófago do Século IV* , onde Cristo Menino é adorado pelo boi e o burro, sem nenhuma outra figura do presépio.

No século XVIII, surgiu o “presépio de papel” como uma alternativa para os pobres, sem condições de comprar estatuetas de madeira, pedra ou terracota. A princípio essas figuras eram feitas em papel para recortar e montar, possibilitando uma imensa variedade de composições para o cenário. Durante o inverno do hemisfério norte, muitas pessoas que eram praticamente obrigadas a ficar em casa devido ao frio intenso, se dedicando, então, à pintura das folhas com as figuras. Presépios pintados e recortados em papel representavam e traziam a Natividade para os pobres, para as pessoas comuns.

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Historicamente, em 1782, Joseph II, imperador da Áustria, proibiu a montagem, nas igrejas do império, de presépios tridimensionais como conhecemos hoje. Acontece que, com a criatividade dos artistas e o interesse popular, cenas e figuras foram adicionadas à cena principal, o que atraia muita gente às igrejas, causando tumultos e desrespeito para com os lugares sagrados. Para se ter uma ideia, nas cenas napolitanas, até mesmo prostíbulos eram representados e, ainda hoje, nos presépios tradicionais de Espanha, uma figura é objeto de curioso interesse, trata-se do “cagador”, ou seja, a figura de um homem satisfazendo suas necessidades fisiológicas. Normalmente colocado de maneira que não se o reconheça imediatamente, deve ser procurado por quem contempla o presépio.

Influenciados pela tradição barroca do teatro, a nobreza aristocrática e povo das cidades ricas na Itália e na Áustria dos séculos XVII e XVIII comissionavam artistas para pintar a óleo ou têmpera, sobre papel, figuras bíblicas. Com isso o presépio passou das igrejas, palácios e locais públicos para as famílias e suas casas. 

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O advento da indústria da fotolitografia, na segunda metade do século XIX, possibilitou a criação de um novo processo de impressão de presépios de papel com alta qualidade. O desenvolvimento da ferrovia abriu novos mercados em toda a Europa, aumentando o número de presépios de papel, acessíveis a muita gente, assim como os centros de produção. Entre os mais famosos estavam Weissenburg (Alsácia), Neuruppin (Brandemburgo), Mainz e Augsburg. De 1835 até 1900 Gustav Kühn de Neuruppin, criou 175 diferentes motivos de presépios em papel. Scholz, Editor de Mainz, ofereceu trinta e cinco modelos diferentes em 1912. Weissenburg C. Burckhardt fez quarenta e dois modelos, disponíveis em 1907. Especialmente notados e apreciados foram os presépios de J. F Schreiber (Esslingen, desde 1878).

Essas pequenas maravilhas de papel nos dão um belíssimo e raro testemunho de expressão artística e da beleza humilde; uma beleza intrínseca, ofuscada apenas quando comparada com a beleza da fé que é fundamento de todas as manifestações artísticas ligadas ao mistério do Natal. 


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Coleção particular de Celso Rosa

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